Menino de Asas - Homero
Homem
Esta é a história de Menino de
Asas Ao
nascer, sua mãe ficou muito triste. O pai consolou-a
dizendo: "- Há de ser obra de Deus, mulher. Ele sabe o que
faz." Consolada, passou a ver
no estranho acontecimento um desígnio divino: Deveria ser um
anjo, por isso asas em vez de braços. Meio pássaro e
meio gente. Um mensageiro de Deus.
Seu
desenvolvimento foi normal como qualquer outra criança.
Passou a voar aos três anos. Precisando ir à escola
aos sete anos, criou um dilema para o professor do povoado: Os pais
dos alunos não o aceitaram. Seus filhos tentando
imitá-lo estavam se acidentando. O professor sugeriu que
operassem suas asas. Seus pais não concordaram. Assim, o
estranho garoto deixou a sala de aula. A pedido de seu pai, o
professor deveria lhe dar aulas em casa. Menino de Asas entendeu
que lidar com os humanos era difícil e perigoso. Despertava
curiosidade, confusão e pânico. Passou a ser amigo dos
pássaros e das aves.
Decidido
usar as pernas e não as asas foi para a cidade.
Precisava aprender, trabalhar, crescer, viver. Mas as
próprias circunstâncias o colocava numa
situação difícil. E assim, era sempre
necessário voar para vencer os obstáculos: Os
atacantes impiedosos, a tevê ( as notícias
virando menchete de jornais:"... o Monstro de asas..."), a
polícia, etc. Era um corre-corre de
curiosos e trânsito engarrafado.
Um
dia deparou-se
com um anúncio: Dr. Pacheco Fernandes - Cirurgia
Plástica. Pensou >que finalmente teria a
solução. Entrou em contato com o cirurgião que
estudando o seu caso abria arquivo repassando: Minotauro - Monstro
com cabeça de touro e corpo de homem; Quimera - Monstro com
três cabeças, corpo meio cabra meio leão, cauda
de dragão, que vomitava chamas; e outros. O
médico dedicou-se ao caso cognominando-o
"Operação Menino de Asas", hospedando-o num quarto
nos fundos de sua residência na praia de Copa Cabana.
Certo
dia, Menino de Asas lera no jornal que o seu amigo
Pilão estava preso. Não titubeou, foi direto
libertá-lo. Pois ele o havia protegido de seu bando,
tratando-o ocmo gente normal. No dia seguinte é
acordado (no quartinho) pela Rute, a única filha do
médico. Momentos maravilhosos na descoberta do amor que
flagrados pelo seu pai, quebra esse encanto e perde o seu
apoio.
Desolado,
volta ao quilombo dos meninos, a encontrar-se com Pilão,
deixando-o logo em seguida: O nível e as
intenções do bando não conferiam os dele. A
partir daí passou a executar tarefas especiais diversas que
só um homem de asas tinha o privilégio de realizar:
Levava mantimentos para a filha do cirurgião que havia sido
seqüestrada por eles.
Dias depois
foi nomeado Zelador Aéreo da cidade sob o nome de
João Batista Voador com o apoio do titular do Juizado de
Menores e do governador, despertando uma polêmica sobre a
origem de sua nomeação. Por fim, feliz, o homem
-pássaro avança os ares protegendo e zelando pela
cidade.
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